"Deus e o Tecelão"

08/12/2007

JÓ – ESTÓRIA DE UM SERVO DE DEUS

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Nos primeiros capítulos do livro, encontra-se o relato da autorização de Deus para os sofrimentos que viriam sobre Jó e a ordem específica para que sua vida fosse poupada, demonstrando assim que Deus em sua soberania absoluta, é o único que tem o poder de decisão sobre vida e morte, e todos respeitam!

Mas, quais motivos levariam Deus a autorizar tanto sofrimento em alguém que era tido como temente a Deus, íntegro e justo?

Após longos diálogos filosóficos, começamos a perceber algumas características da personalidade de Jó (cap.29:7-25), e como ele se sentia importante e superior em relação ao povo e aos assuntos de Deus: “Era eu que escolhia o caminho para eles, e me assentava como seu líder; instalava-me como um rei…eu era como um consolador dos que choram.”(vs. 25); em certo momento, o coração de Jó revela o sentimento de ódio por seus semelhantes: “…homens cujos pais eu teria rejeitado, não lhes permitindo sequer estar com os cães de guarda do rebanho… …prole desprezível de raça infame, e da terra são escorraçados.”( cap.30:1-8 ) ; e também intransigência na auto-justificação de seus erros: “…Que porção, pois, teria eu do Deus lá de cima?…não é a ruína para os injustos…? Não vê Ele os meus caminhos…? Se me conduzi com falsidade ou se meus pés se apressaram a enganar, Deus me pese em balança justa e saberá que não tenho culpa.” (cap.31:2-8).

Ele parecia não ter o amor que demonstrava para todos! Talvez ele não fosse tão íntegro como aparentava, e Deus (que conhece os corações dos homens) sabia disso e resolveu corrigi-lo!

Após muitas conversas “Filósofo-teológicas” entre Jó e seus amigos, finalmente Deus aparece a Jó e o repreende severamente dizendo: “…QUEM É VOCÊ PARA ESCURECER O MEU CONSELHO COM PALAVRAS SEM CONHECIMENTO? PREPARE-SE COMO SIMPLES HOMEM QUE É POIS EU VOU FAZER-LHE PERGUNTAS…” (cap.38:1-2), e Deus segue questionando sua falta de sabedoria e seu total desconhecimento nos assuntos desta vida, até o cap. 40:1-8, quando vem uma nova repreensão mais violenta ainda de Deus sobre Jó: “…VOCE VAI PÔR EM DÚVIDA A MINHA JUSTIÇA? VAI CONDENAR-ME PARA JUSTIFICAR-SE ?….”

Segundo a severidade das repreensões de Deus, fica claro que Jó não tinha conhecimento exato nos assuntos terrestres e nem nos espirituais, e Deus não estava nada satisfeito com ele; porém, sabia que esta situação surtiria efeito no coração de Jó.

Ele acaba percebendo seu erro e finalmente se arrepende (cap.42:1-6), e confessa diante de Deus que não compreendia e que se manifestava erroneamente em relação a Seu Reino “…certo é que falei de coisas que eu não entendia, coisas maravilhosas demais que eu não poderia saber…”

Depois deste despertar de Jó e de seu arrependimento sincero e verdadeiro, Deus o restitui a condição de servo, anuncia que aceitará as suas orações e lhe restitui em dobro tudo o que tinha antes!

Eu vejo que as atitudes de Jó não agradavam a Deus, visto a dimensão de sua estória.

Nós, homens, que nos achamos senhores das situações, custamos a perceber nossa condição pecaminosa, errante, e sempre aceitamos argumentos que nos justifiquem (e que chegam até nós, sabe-se lá de onde!) e acabamos ficando perdidos, inconscientes, em relação a justiça perfeita de Deus e Seu Reino; sem as Suas respostas gravadas em nossas mentes e corações, e apenas com dúvidas e com respostas dogmáticas (de ouvir falar a Seu respeito – cap.42:5a), que não nos capacitam a argumentar quando estamos diante da presença de Deus ou de seu Santo Espírito (agora que meus olhos O vêem- cap.42:5b).

Principalmente nós que anunciamos conhecê-LO (assim como Jó), e que nos colocamos a disposição (disponibilidade para esperar) de Seu serviço e expomos diante do mundo a imagem de Deus associada à nossa conduta cotidiana.

Deus está sempre nos observando atentamente e constantemente nos apresenta as condições para voltarmos à consciência. Cabe a nós perceber os sinais do engano e admitirmos rever nossos conceitos, valores e conduta, para não nos surpreendermos com uma situação extrema em nosso futuro encontro com Deus, assim como a situação extrema vivida pelo servo Jó no seu encontro com o Senhor, Deus.

Como me disse J.C. em relação a servidão : “… a quem muito foi dado, muito será exigido”.

Já me foi mostrado, várias vezes, que eu não posso errar nas questões referentes ao Reino de Deus; e neste ponto eu desenvolvi na prática (e também em minhas conversas particulares com Ele) o temor (respeito) máximo pelo meu Deus e Senhor, e procuro compreendê-L0 (e a seus sinais!) e me submeter sempre à Sua orientação.

A continuidade real de Sua obra envolvendo a minha presença depende, em parte, de meus exemplos de conduta diante dos homens, e de minhas verdades internas diante de Deus, e de minha compreensão e submissão a Sua vontade.

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